UM PASSADO POR GERAÇÃO
Num domingo entediado, após assistir a um
filme do jackie chan na temperatura máxima, lembrei de meu pai. Da antiga
familia que eu tinha e do cheiro de churrasco a cada domingo cheio de música e
comida. Tudo era tão bom, que se soubesse que ia passar tão rápido, teria
aproveitado melhor. Quer dizer, acho que não, porque eu teria ficado nervosa e
estragado tudo. Mas bem, eu lembrei de meu falecido pai. O cara mais galinha e
safado que alguém pode ter conhecido na época. Mas acima do que ele era, era
meu pai. E ele se sentia um tanto feliz por isso. Talvez ainda sinta...
Enfim, lembrar do meu pai foi uma coisa
intensa o bastante para eu ter animo de ir visitar minha tia paterna. A única
tia ainda viva. Eu não a visitava a quatro anos, até que ano passado fui vê-la,
o que foi muito bom. Agora resolvi visitá-la novamente, pois é normal eu tomar
uns " chás de doril" como ela mesma diz. No entanto, peguei somente
meu celular, fones e uma sacola com dvd's religiosos que ela havia me
emprestado. Saí de a pé até lá
escutando músicas antigas, o que me fez lembrar ainda mais do meu passado. E eu
gosto disso.
Quando cheguei lá, ela atendeu a porta
surpresa com minha visita. Tio Roberto assistia futebol com um amigo. Pois
jogos do Grêmio eram sagrados para Tio Roberto, e como detestava que falassem
enquanto assistia, Tia Isabel me levou até a sua sala de costura. Ela estava
fazendo uma tiarinha para a neta que nascia naquela mesma semana, e minha foto
com 4 anos de idade ainda estava no mural. Nós conversamos sobre a familia, e
curiosa, perguntei sobre meus antepassados. Ela me falou sobre meu pai ainda
jovem , meu avô, meu tio falecido, a filha do tio falecido, minha avó, e da
história de uma tia-avó que me deixou surpresa. Era uma senhora que passava a
vida visitando a casa dos parentes da familia, e em cada casa, tirava uma foto,
e escrevia quem eram, com quem casaram, quem e quantos filhos tinham, etc. O
que me fez identificar muito. Mas o
que me impressionou foi como essa senhora morreu : atropelada por um caminhão.
Bem como eu sonho constantemente. O que é bem assustador, já que a mulher tem
uma idéia igual a minha, e uma morte igual a que sonho.
Voltando para casa, depois de muita conversa e
risada, eu olhei para a foto do meu pai que ela me deu antes de sair. Um cara
com pose de capitalista, ao lado de uma Brasilia, o carro que ele enchia de
mulheres e saia por aí. Na foto ele segura na mão um copo de cerveja, o que
arruinou parte da vida dele. E na foto que preferi não trazer, estava ele
sentado elegante com um cigarro, o que acabou com a vida dele. Meu pai era um
cara viciado, mas por ele ter tido tanto carinho e paciência comigo eu digo que
era um homem montado. Com montado eu me refiro a cigarros e álcool que faziam dele
um cara julgado como uma pessoa que verdadeiramente ele não era. Ele era
melhor. Eu senti isso nos tão somente oito anos de convivência com ele.
Lembrando de todo esse meu passado com meu
pai, lembrei também daquela tia-avó. Tentei imaginar quem ela era, como ela
era, o que fazia nos meio-dias de domingo. Mas assim como meu pai, tudo era
apenas hipóteses de pessoas para uma pessoa a decifrar. O passado é o maior
presente que podemos dar a uma vitória no futuro. O passado de meu pai, prefiro
não entrar em detalhes. O passado da minha tia-avó, não presenciei nem me
aprufundei para descrever. E o meu passado... Bem, com o pouco que tenho sempre
será o suficiente para preencher as linhas da descrição do que valeu a pena.
Maria Eduarda Lopes.
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