INDEFINIVEL
Do que somos
feitos afinal ? Quando nascemos, somos feitos de alguns poucos quilos de carne
e osso e uma pele coberta de sengue, coisa que a lógica entende. Depois esses
ossos vão crescendo, a carne vai mudando, coisa que a lógica entende. Depois os
ossos começam a crescer disparadamente, desengonçando o corpo, os hormônios se
apresentam super hiper ativados, coisa que a lógica entende. Depois os ossos
param de crescer, e só vão tornando a se curvar mais, o corpo está em
desenvolvimento concluído, coisa que a lógica entende. Depois os ossos e a
carne ficam fracos, os cabelos brancos ( se ainda os tiver) , coisa que a
lógica entende. Depois o corpo chega a seu ciclo vital por encerrado, e é
descartado por completo, coisa que a lógica NÃO entende. Não entende por causa
dessa versãozinha da vida:
Do que somos
feitos afinal ? Quando nascemos, somos feitos de um coração e uma mente
receptivos a conhecer o mundo na qual temos que conhecer. Depois a mente vai
aprendendo alguns valores, sendo feita de expectativas por um brinquedo novo,
pela brincadeira depois que o pai chegar, e por alguma guloseima que se tem que
adquirir paciência pra ganhar. Depois não queremos mais saber de nada, a vida é
um saco, o que foi legal é aquele beijo inesquecível da pessoas que eu não
esqueci. Depois eu já acho que quem eu gostava não me deu bola, aquela festinha
foi por agua baixo, eu não sei nada da matéria, e meus pais não me deixam fazer
nada, e a galera fica me zuando, e eu sou fã daquele cantor massa, tá ligado ?
Depois se apaixonamos, temos encontros românticos, almoço pra apresentar aos
pais, percebe-se que temos vontade de sermos independentes, de sair de casa,
ganhar a própria grana, arranjar uma profissão legal, dizer um “ aceito sim”
para o padre na igreja e ter uma família com marido e mulher,dois filhos, pais
velhos puxando o saco dos netinhos e um cachorro pra descontrair. Viramos
criança novamente pra mostrar ao filho a diversão, viramos os pais chatos para
mostrar aos filhos a obrigação, as normas, viramos amigos adolescentes novamente para dar o ombro ao
filho depois de uma decepção, um erro, uma tragédia no amor. Depois viramos
carentes orgulhosos, lamentando a saída do filho de casa, o que nesse momento,
ele nos parece novamente o bebê fofo que ensinamos a andar, mas não é. Depois, viramos os pais velhos puxando o saco
dos netinhos, e depois viramos aquele morto no caixão, com amigos, parentes,
filhos, netos talvez, pessoas que estiveram na nossa vida, e que no final das
contas, precisamos ser criança para vermos como é divertida, adolescente para
vermos o quanto é baseada em amor, em aprendizado, em indecisão. Adulta para
vermos o quanto deve ser levada a sério apesar de tudo, e velhos, para vermos
na nossa cabeça tudo o que foi visto, e perceber através disso o quanto ela não
pode ser determinada, por ser um corpo de carne e osso, que carrega suas
maiores habilidades e lembranças em um espaço que sempre será maior do que esse
corpo, e ao mesmo tempo compatível somente com essa alma.
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