domingo, 4 de agosto de 2013

INDEFINIVEL
Do que somos feitos afinal ? Quando nascemos, somos feitos de alguns poucos quilos de carne e osso e uma pele coberta de sengue, coisa que a lógica entende. Depois esses ossos vão crescendo, a carne vai mudando, coisa que a lógica entende. Depois os ossos começam a crescer disparadamente, desengonçando o corpo, os hormônios se apresentam super hiper ativados, coisa que a lógica entende. Depois os ossos param de crescer, e só vão tornando a se curvar mais, o corpo está em desenvolvimento concluído, coisa que a lógica entende. Depois os ossos e a carne ficam fracos, os cabelos brancos ( se ainda os tiver) , coisa que a lógica entende. Depois o corpo chega a seu ciclo vital por encerrado, e é descartado por completo, coisa que a lógica NÃO entende. Não entende por causa dessa versãozinha da vida:

Do que somos feitos afinal ? Quando nascemos, somos feitos de um coração e uma mente receptivos a conhecer o mundo na qual temos que conhecer. Depois a mente vai aprendendo alguns valores, sendo feita de expectativas por um brinquedo novo, pela brincadeira depois que o pai chegar, e por alguma guloseima que se tem que adquirir paciência pra ganhar. Depois não queremos mais saber de nada, a vida é um saco, o que foi legal é aquele beijo inesquecível da pessoas que eu não esqueci. Depois eu já acho que quem eu gostava não me deu bola, aquela festinha foi por agua baixo, eu não sei nada da matéria, e meus pais não me deixam fazer nada, e a galera fica me zuando, e eu sou fã daquele cantor massa, tá ligado ? Depois se apaixonamos, temos encontros românticos, almoço pra apresentar aos pais, percebe-se que temos vontade de sermos independentes, de sair de casa, ganhar a própria grana, arranjar uma profissão legal, dizer um “ aceito sim” para o padre na igreja e ter uma família com marido e mulher,dois filhos, pais velhos puxando o saco dos netinhos e um cachorro pra descontrair. Viramos criança novamente pra mostrar ao filho a diversão, viramos os pais chatos para mostrar aos filhos a obrigação, as normas, viramos amigos  adolescentes novamente para dar o ombro ao filho depois de uma decepção, um erro, uma tragédia no amor. Depois viramos carentes orgulhosos, lamentando a saída do filho de casa, o que nesse momento, ele nos parece novamente o bebê fofo que ensinamos a andar, mas não é.  Depois, viramos os pais velhos puxando o saco dos netinhos, e depois viramos aquele morto no caixão, com amigos, parentes, filhos, netos talvez, pessoas que estiveram na nossa vida, e que no final das contas, precisamos ser criança para vermos como é divertida, adolescente para vermos o quanto é baseada em amor, em aprendizado, em indecisão. Adulta para vermos o quanto deve ser levada a sério apesar de tudo, e velhos, para vermos na nossa cabeça tudo o que foi visto, e perceber através disso o quanto ela não pode ser determinada, por ser um corpo de carne e osso, que carrega suas maiores habilidades e lembranças em um espaço que sempre será maior do que esse corpo, e ao mesmo tempo compatível somente com essa alma.  

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