Vemos muitas vezes em propagandas de Tv, histórias e
mensagens que tocam de certa forma. Seja um animalzinho abandonado, seja uma
criança carente, seja uma pessoa sonhadora, seja uma mãe desesperada, seja
qualquer situação que mecha com nossos sentimentos. Vendo uma dessas
propagandas, me questionei sobre como seria se fossemos fazer uma propaganda da
própria vida que tocasse a todos que assistissem. Porque o que se vê muito é
pessoas que não se dão valor, nem consideram a própria vida algo que inspire
alguém, ou que motive alguém. E são elas que mais se surpreenderiam com a
propaganda tocante de suas próprias vidas. Porque elas veriam o sentido da
mensagem que trazem consigo mesmas, e que poderiam passar para as pessoas ao
seu redor. Porque elas veriam que estão sendo anunciadas ali porque tem valor,
mas a diferença do convencional é que não estão ali para serem compradas, estão
ali para mostrar que mesmo sendo o mesmo produto da mesma fábrica, a sua
função, a sua formação, o seu conteúdo, o seu efeito e as suas vantagens e
desvantagens fazem desse “produto” algo sem preço. Que não é todos que irão
valorizar, mas sim, os que realmente precisam de você para tornar a própria
vida melhor. Pode parecer materialista essa comparação de pessoa e produto, e
na verdade é. É porque cada vez mais muda o valor que damos as pessoas e
coisas, porque cada vez mais damos rótulos para quem convivemos, porque cada
vez mais misturamos sonhos de realização pessoal com sonhos de consumo, e
acabamos esquecendo que a vida é mais que isso, que por mais que seja clichê falar,
cada um tem uma vida a qual deve dar valor, tem uma pessoa a qual deve julgá-la
sem preço. Ninguém está aqui nesse lugar porque escolheu. Todos sabem que a
vida se baseia em coisas que não sabemos como é antes de surgir, e nem depois
de acabar. A única coisa que sabemos é que nascemos com ela, e que basta
qualquer coisa, qualquer deslize, para que ela acabe. E nesse tempo, acabamos
passando por muitas experiências, por escolhas, por sentimentos, por vontades
explosivas de viver, e vontades agonizantes de desistir. E tudo isso vai acabar
um dia. E tudo isso que você passou pode acabar tão despercebido e inatingível
como para muitos. Mas ela, a própria vida, é a única coisa que você precisa
para fazer dela, algo que valha a pena ter existido. Comparo-a com propagandas
emocionantes porque elas sempre querem trazer uma mensagem ao telespectador,
algo que faça ele se emocionar.
E é isso que a vida precisa para valer a pena. Deixar uma mensagem.
Talvez para todos, talvez para os que realmente lhe dão valor, talvez para
desconhecidos. Mas deixar uma mensagem. Para simplesmente mostrar que assim
como todos os outros, você tem o seu valor, e que para conquistar ele, você
lutou para uma trajetória e uma história que não tem preço.
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